quarta-feira, 1 de abril de 2009


Escuro, no meu quarto que há tempos não dormia (aquele mesmo com ventilador e estrelinhas no teto), deito na minha cama sobre uma almofada de coração (que, no dia em que a recebi de dois amigos, conheceu um dos meus melhores sorrisos e naquela hora conhecia um outro lado - um que eu nem sequer gosto), chorava como há muito não fazia. Olho pela janela (que continua com os velhos adesivos) e vejo uma grande borboleta. Talvez ela já estivesse ali, quando eu subi as escadas apressada pra chegar na minha cama, deitar e esperar as dores passarem (a física e a emocional), mas só reparei nela quando senti uma necessidade fora do comum de ter alguém pra me abraçar naquele exato momento. Era impossível, já estava tarde demais e aquele dia já era quase outro dia. Pensava em tantas coisas e em tantas pessoas que me dava vontade de vomitar, pra ver se tudo isso saía de dentro de mim, mesmo sabendo que a vontade maior é que elas saíssem de onde estavam e viessem pra perto de mim. (O engraçado de tudo é que, enquanto escrevo todas essas coisas, escrevo no passado, porque sei que isso não pode durar mais de uma noite. Eu não aguentaria. Não sozinha.)
O abraço, naquela noite, foi dado por Deus, pelas músicas e por aquela borboleta - aquela que, até então, em nem sequer tinha reparado que estava ali, se mostrando pra mim.

Um comentário:

Sandro disse...

Por que não ligou? :/
Quando tiver assim, não precisa se prender só às borboletas que decidirem aparecer no caminho.