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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Bonança. Resiliência. Ventura.

Escrevo poesias -ou palavras soltas- em cadernos pequenininhos, pequenininhos.
Com muito cuidado pra que ninguém veja, escrevo com as mãos quase juntas ao corpo e com os olhos quase beijando o papel (às vezes branco, rabiscado com desenhos, amarelado; às vezes bonito) - ainda que só eu esteja perto. Cada palavra, como se fosse preciosa e estivesse sendo usada pela primeira vez...
Improvável.
Até eu, que quase não escrevo, já escrevi tanto! Muitas palavrinhas, nem um palavrão; palavras grandes, redondas e prepotentes e palavras curtas, não-grossas e dependentes - daquelas usadas quando se quer dizer muito, dizendo pouco; que quase pedem abraços.

Algumas, se esforçam um bocado para irem parar num envelope azul, mudarem de casa, de dono. De tanto querer, às vezes conseguem - vezenquando até sem esforço, assim: Elas vêm e trazem toda família.
Outras, ficam lá, quietinhas, numa quietude tão presente, tão sonora, que -sem perceber- acabam ocupando minha mente por semanas. Ou pela vida.

Entre essas, têm as minhas preferidas. Ao contrário do que as mães sensatas fazem, eu -talvez por não tê-las criado- não preciso esconder minhas preferências. Essas, não só ocupam minha mente, como me acompanham e me são muito úteis - tanto que, sem medo que elas se percam, sofram mudanças ou se tornem banais, eu as dou de presente.




domingo, 9 de maio de 2010

Eu não sei mais chorar. Hoje chorei. Percebi que desaprendi, e logo sorri. Não soube enxugar. Fiquei com vergonha, deixei pingar. Tive que deixar.
(E há quem pergunte -sempre há- se estou bem, digo que sim. Não minto.)

Foi durante o almoço, na mesa da sala, com os olhos fixos na TV. Não era novela nem filme.
Era real. Eu poderia, noutros tempos, facilmente apontar o que vi como uma carta romântica escrita com caneta de pena e papel decorado. Não era presunçosa, não era brega e muito menos estúpida. Estava ali, junto com uma música ao fundo que dizia praticamente tudo e algumas fotos, a "1ª Cartinha. Lembra?" que meu irmão fez à namorada.
Era pura. É amor.