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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Gran Sauvignon Blanc

Alguns livros não podem nem merecem ser engolidos de uma só vez, como uma ostra gosmenta.
No lugar disso, merecem ser provados com a mesma atenção e paixão com as quais algumas pessoas fazem com vinhos.
Ainda que corra o risco de parecer um passarinho-que-tenta-ser-gente, com biquinho e tudo mais, falando sobre o suave gosto de madeira, o leve aroma de frutas cítricas, o roxo-rubí-intenso e os tantos anos que aquele vinho já completou (alguns já são tão, tão, tão velhinhos - e esses, recebem ainda mais atenção e valor) e que o fazem ser o vinho que é.
Penso que certos livros merecem essa atenção. Não todos, claro. Assim como os vinhos. Não acho que algum enólogo sentiria prazer em degustar um daqueles vinhos que se compra na falta de algo pra levar a um luau.
Mas esses, aqueles, os específicos-não-especificados, merecem cada biquinho que se faz pra sentir o leve gosto de madeira, a torcidinha de nariz pra que se perceba o aroma das frutas que sentiram um pingo de vontade de serem azedas (daí, tornaram-se cítricas), os encontros fracionados das pálpebras ajudando a notar cada tonalidade que, juntas, resultam num roxo-rubí-intenso tão bonito, mas tão bonito!, que só a sensibilidade de perceber que aquele vinhozinho já está mais pra velhinho para torná-lo ainda mais assim: especial!

Por isso, mesmo que eu nunca tenha experimentado vinho, recomendo:
Sentir o gostinho de cada capítulo de livro como um degustador-passarinho que se preze faz em cada um de seus goles.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Treze segundos pós-sono.

Todo mundo quer aprender a fazer moonwalk.
Até perceber que não faz sentido andar para trás.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

ele não gosta de gerúndio

"Amor é bicicleta",

se aprende a andar
e nunca mais se esquece.

Mesmo quando se esquece de si.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Alegria

remédio de alergia
desloca a letra r de lugar
quando começa a fazer efeito.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Se eu colecionasse palavras como se faz com álbuns de figurinhas, as que seriam equivalentes às figurinhas brilhantes - e mais difíceis de achar - viriam de você. Se eu arranjasse uma forma de fazer isso, acho que você também faria. Não sei se colecionaria as minhas, mas tenho certeza que você montaria um álbum bem interessante. Talvez repleto de palavras de efeito e tristes. Ou daquelas que ninguém sabe ao certo o significado ou não se costuma ouvir sempre, mas que parece ser algo bem ruim - quando na verdade significa algo brando. Tipo "melifluo", que significa doce, suave, mas mais parece significar algo horrível.

Prefiro colecionar pessoas por completo, com todos os sorrisos - inclusive aquele que aparece no lugar das lágrimas ou aquele outro bem menos dramático, que esconde maus momentos.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pseudo-asma

Tem horas que é preciso ir na varanda,
olhar as estrelas, sentir o vento e..



respirar.

terça-feira, 30 de março de 2010

omissão de algo que podia ser escrito

Há quem diga que a morte é como um ponto final.
Pra mim, ela é bem mais como as reticências...