segunda-feira, 4 de julho de 2011

Gran Sauvignon Blanc

Alguns livros não podem nem merecem ser engolidos de uma só vez, como uma ostra gosmenta.
No lugar disso, merecem ser provados com a mesma atenção e paixão com as quais algumas pessoas fazem com vinhos.
Ainda que corra o risco de parecer um passarinho-que-tenta-ser-gente, com biquinho e tudo mais, falando sobre o suave gosto de madeira, o leve aroma de frutas cítricas, o roxo-rubí-intenso e os tantos anos que aquele vinho já completou (alguns já são tão, tão, tão velhinhos - e esses, recebem ainda mais atenção e valor) e que o fazem ser o vinho que é.
Penso que certos livros merecem essa atenção. Não todos, claro. Assim como os vinhos. Não acho que algum enólogo sentiria prazer em degustar um daqueles vinhos que se compra na falta de algo pra levar a um luau.
Mas esses, aqueles, os específicos-não-especificados, merecem cada biquinho que se faz pra sentir o leve gosto de madeira, a torcidinha de nariz pra que se perceba o aroma das frutas que sentiram um pingo de vontade de serem azedas (daí, tornaram-se cítricas), os encontros fracionados das pálpebras ajudando a notar cada tonalidade que, juntas, resultam num roxo-rubí-intenso tão bonito, mas tão bonito!, que só a sensibilidade de perceber que aquele vinhozinho já está mais pra velhinho para torná-lo ainda mais assim: especial!

Por isso, mesmo que eu nunca tenha experimentado vinho, recomendo:
Sentir o gostinho de cada capítulo de livro como um degustador-passarinho que se preze faz em cada um de seus goles.

2 comentários:

Priscilla Peixoto disse...

Concordo com vc, Reh.
Naum há melhor coisa do que 'saborear' um livro.
Seu blog tá de parabéns!
:D


;*

Sarah Azevedo disse...

Um dos meus favoritos.