segunda-feira, 4 de julho de 2011

Gran Sauvignon Blanc

Alguns livros não podem nem merecem ser engolidos de uma só vez, como uma ostra gosmenta.
No lugar disso, merecem ser provados com a mesma atenção e paixão com as quais algumas pessoas fazem com vinhos.
Ainda que corra o risco de parecer um passarinho-que-tenta-ser-gente, com biquinho e tudo mais, falando sobre o suave gosto de madeira, o leve aroma de frutas cítricas, o roxo-rubí-intenso e os tantos anos que aquele vinho já completou (alguns já são tão, tão, tão velhinhos - e esses, recebem ainda mais atenção e valor) e que o fazem ser o vinho que é.
Penso que certos livros merecem essa atenção. Não todos, claro. Assim como os vinhos. Não acho que algum enólogo sentiria prazer em degustar um daqueles vinhos que se compra na falta de algo pra levar a um luau.
Mas esses, aqueles, os específicos-não-especificados, merecem cada biquinho que se faz pra sentir o leve gosto de madeira, a torcidinha de nariz pra que se perceba o aroma das frutas que sentiram um pingo de vontade de serem azedas (daí, tornaram-se cítricas), os encontros fracionados das pálpebras ajudando a notar cada tonalidade que, juntas, resultam num roxo-rubí-intenso tão bonito, mas tão bonito!, que só a sensibilidade de perceber que aquele vinhozinho já está mais pra velhinho para torná-lo ainda mais assim: especial!

Por isso, mesmo que eu nunca tenha experimentado vinho, recomendo:
Sentir o gostinho de cada capítulo de livro como um degustador-passarinho que se preze faz em cada um de seus goles.

domingo, 3 de julho de 2011

Vida depois das 2h01, apartamentos, drama e escaleta


Chega a noite;
não posso treinar - o mundo todo quer dormir.
Se eu tocar, não deixar, só fariam reclamar.

Talvez, se eu tocasse bem,
não perturbasse ninguém,
pudesse ir mais além:

Treinar até mais tarde
e um dia, quem sabe,
eu tocasse bem...

sábado, 25 de junho de 2011

Observação que antecede qualquer "Lista de Ingredientes" e "Modo de Preparo"

Meus alimentos preferidos nunca tiveram, em seu preparo, a dor como ingrediente - nem secundário e tampouco principal.
Quero me alimentar do que é doce, salgado, azedinho ou até ácido (como é o caso das minhas jujubas preferidas), desde que seja bom e faça bem.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Bonança. Resiliência. Ventura.

Escrevo poesias -ou palavras soltas- em cadernos pequenininhos, pequenininhos.
Com muito cuidado pra que ninguém veja, escrevo com as mãos quase juntas ao corpo e com os olhos quase beijando o papel (às vezes branco, rabiscado com desenhos, amarelado; às vezes bonito) - ainda que só eu esteja perto. Cada palavra, como se fosse preciosa e estivesse sendo usada pela primeira vez...
Improvável.
Até eu, que quase não escrevo, já escrevi tanto! Muitas palavrinhas, nem um palavrão; palavras grandes, redondas e prepotentes e palavras curtas, não-grossas e dependentes - daquelas usadas quando se quer dizer muito, dizendo pouco; que quase pedem abraços.

Algumas, se esforçam um bocado para irem parar num envelope azul, mudarem de casa, de dono. De tanto querer, às vezes conseguem - vezenquando até sem esforço, assim: Elas vêm e trazem toda família.
Outras, ficam lá, quietinhas, numa quietude tão presente, tão sonora, que -sem perceber- acabam ocupando minha mente por semanas. Ou pela vida.

Entre essas, têm as minhas preferidas. Ao contrário do que as mães sensatas fazem, eu -talvez por não tê-las criado- não preciso esconder minhas preferências. Essas, não só ocupam minha mente, como me acompanham e me são muito úteis - tanto que, sem medo que elas se percam, sofram mudanças ou se tornem banais, eu as dou de presente.




sábado, 11 de junho de 2011

Sobre universalidade.

Lavar pratos se torna tarefa insuportável a partir do momento que, por qualquer-que-seja-o-motivo, não se permite fazer espuma.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Peso-pena

Deixando de lado a bagagem clichê que a fizeram carregar, digo que "Esperança" é grande.
Digo também que, mesmo com seu tamanho e todo o peso da bagagem acrescentada por outros, eu faço questão de carregá-la comigo.
Sem reclamar. Agradecendo.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Post-it,

desde 1977 ajudando a lembrar daquilo que não é possível esquecer.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Treze segundos pós-sono.

Todo mundo quer aprender a fazer moonwalk.
Até perceber que não faz sentido andar para trás.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

O que eu penso quando estou na varanda



Penso em como o dia começou...

Se você, sem querer, me deu um susto, se eu te vi abrindo a porta ou se você me acordou.
Em como passou rápido(!). Sempre passa.
E fica - assim como você, quando passar pela última porta.
Penso que aquele menino, que agora tá indo, volta.
Se andando, dançando, dirigindo ou de ônibus, eu não sei.


E espero, assim, na varanda mesmo, por alguns não-muitos segundos, o dia em que talvez você não precise mais ir.

sábado, 9 de abril de 2011

Em Maceió é assim

Relâmpago é o flash da câmera com a qual o céu às vezes fotografa o mar.
Trovão é o mar reclamando que a foto ficou feia ou agradecendo por ela.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

dEle, cada mente

Sou a favor de que todas as coisas sejam feitas com o maior Amor do mundo.

Mesmo que esse "mundo" seja apenas o seu.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Guaxininho

às vezes não gosto de mim, daí me mudo.
continuo na mesma casa; faço um ninho.

Fica tudo bem.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Versinhos são

E, de repente, se descobre a grandeza dos versinhos.
Percebe-se que às vezes eles são tão grandes,
que passa pela cabeça o perigo de eles não caberem em si mesmos.

Mas, sem medo, escrevo:

Vou te encher de versos diversos
Todos eles sem aspas
Pra te fazer sorrir
E saber: Fui eu quem fiz.

Pra você.